quinta-feira, 7 de julho de 2011

Capítulo 4.

04 de abril de 2009
Estava nervosa demais para ficar apenas naquelas cervejas, estava revoltada com o mundo, com os homens, com o último livro que eu li (sexo anal: uma história marrom). Adorava a ideia de esticar a noite com ele, para rir e olhar para o mundo como se tudo fosse um monte de besteiras. Fomos para uma festa que estava rolando as mesmas bandas de sempre, as mesmas pessoas de sempre, a velha história repetida de um jeito... igual. Mas que importava?
Encontrei vários colegas, conversamos muita besteira. Encontrei um cara que gostava muito de mim, mas que Ernesto o havia apelidado carinhosamente de "Psicopata", pois ele havia ficado meio obcecado por mim. Mas naquele dia eu percebi que ele não era um psicopata, era apenas um cara apaixonado e ainda apaixonado por mim, de um jeito meigo. Na verdade Ernesto não gostava muito dos meus paqueras, sempre havia um apelido como " o psicopata" ou o "chato" ou o cara que só quer lhe comer. Às vezes acho que nos relacionamentos amorosos sempre tem que ter um otário para formar a dupla.
Ernesto era um bom amigo, daqueles que segura a porta do banheiro químico enquanto vc tem que usar. É difícil uma mulher fazer isso, mas fazemos, pois a relação de necessidade nos obriga, imagine um homem fazer isso sem ter certeza de que depois vai comer a mulher para a qual ele se presta tal favor. Ernesto é o tipo de homem que segura a porta do banheiro químico pra você, é o tipo de homem que não existe.
Tudo acontece muito rápido e como não podia ser diferente, nesse dia tudo foi tão rápido quanto se possa imaginar. Não sei o que aconteceu, devo ter recalcado, só me lembro de estar com os olhos cheios de lágrimas olhando pra Ernesto e pedindo pra ele se acalmar. Ele me pedia desculpas e dizia que eu não merecia estar perto de pessoas como ele, eu só consegui pensar que nada do que ele estava dizendo fazia sentido.

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