quinta-feira, 26 de maio de 2011

Marias do meu Brasil

As mulheres são uma caixinha de surpresas, de modo que é difícil elas serem completamente agradadas e compreendidas. Entretanto, Maria conseguiu explicar com clareza muitas realidades femininas.
Maria era uma mulher de 27 anos, formada em teatro. Ela já havia cursado direito e medicina veterinária sem terminar nenhum dos cursos. Filha de médico e advogado, vive num luxuoso apartamento em São Paulo, onde ganha (literalmente, ganha) uma pensão de 15 mil reais do pai falecido. Finalmente, Maria é o estereótipo da mulher gostosona: siliconada, cabelão, pernão e barriga de tanquinho; ela tem um rosto popularmente conhecido como belo: boca carnuda, face simétrica, sorriso perfeito. Como no mundo onde a maior parte das coisas é regida pela sexualidade, Maria utilizou sua aparência e postura para estampar propaganda de carros, cervejas e revistas de beleza, além de ser atração de sites e vídeos em que a mesma se despia ou fazia cenas insinuantemente sexuais.
Agora que descrevi Maria, você, homem, deve ter pensando em comê-la (n vezes) enquanto lia o texto e você, mulher, deve ter alternado seus sentimentos entre inveja, indiferença e repulsa (tbm n vezes). Porém, Maria não é só uma série de fatos, ela tem uma história (que não é só dela) e eu vou contar apenas esse pedaço. Maria amou um homem, verdadeiramente e todo mundo viu esse amor. Mas esse homem pensou o que (quase) todos pensariam ao saber dos fatos da vida de Maria: ela só é pra comer e não para apresentar a mãe. Mal sabia ele, que todos estavam vendo o que ele estava fazendo e até mesmo o que ele estava pensando. E Maria continuava apaixonada, abestalhada, lutando com as armas que tinha e que não tinha para conquistar esse homem, mas só levava fora. A pobre sofreu o pão que o diabo amassou amando esse homem, enquanto ele era só desprezo. Nesse momento tudo muda e se explica: Maria agora é vista como a maior identificação do sofrimento feminino. Todas as mulheres sofrem por amor e a maioria sempre continua atrás do cafajeste, mesmo levando fora, mesmo com toda a humilhação. As mulheres querem dar a volta por cima, sair de um relacionamento em que só ela leva fora e encontrar alguém bacana que goste dela e passar na cara do cafajeste que ela é boa demais para ficar com ele. E Maria foi tudo isso. Maria largou o filho da mãe e foi atrás de quem realmente estava interessado em fazê-la feliz. Nesse momento, Maria já estava na final do programa BBB em que todos (ou quase todos) estavam acompanhando essa história e ela ganhou, não só o prêmio, mas a simpatia de muitas e muitas mulheres do meu Brasil que votaram nela para ela passar na cara do cafajeste, uma última vez que ela era muito melhor do que ele.