quarta-feira, 13 de julho de 2011

capitulo 6 - A carta

Outubro de 2004

Estou lendo a carta que Ernesto me escreveu mais uma vez, e mal posso acreditar que ele vai ter um filho. Aquele namoro dele não tinha acabado umas 500 vezes? As pessoas andam levando muito a sério essa história de fazer as pazes no relacionamento. Confesso que fiquei muito triste com a notícia, esperava que num desses fins de relacionamento Ernesto finalmente pudesse olhar pra mim e dizer que também gosta de mim e que está apaixonado por mim. Sou meio boba mesmo, apaixonada pelo meu melhor amigo, enquanto ele agora vai ter uma família com aquela doida. Esse é o fim.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Capítulo 5: Che, o Guevara.

Hoje em dia vejo várias pessoas usando camisas estampadas com a foto de Che, o Guevara. Sua imagem representa a luta contra a injustiça social ou rebeldia e espírito incorruptível, um homem que promoveu uma revolução, que persiste até hoje nos corações de muitos. Che foi um político, jornalista, escritor, médico, argentino/cubano; comandou e liderou a revolução cubana que modificou o regime político do país.
Na verdade Che não me interessa em muita coisa, mas numa única coisa. Antes de estampar camisetas, ou mesmo ser um revolucionário, Che era apenas um rapaz latino americano com algum dinheiro no bolso, uma faculdade de medicina a terminar e uma vida inteira pela frente. Nada como achar que o fim é sempre longe demais do presente. Eis que ele resolve andar cerca de 8 mil km pela América latina numa velha moto, com um amigo a tira colo e como não poderia ser diferente eles terminam a pé, tendo passado por mais coisas que imaginavam e menos do que desejavam.
Essa viagem transforma Che de modo muito interessante e muito bem retratado no filme "diários de motocicleta", em verdade não sei, nem poderia dizer quais transformações foram essas ou que restou dele do que era antes de viajar, mas acho que seria impossível passar por uma experiência assim e ainda ser completamente o mesmo.

Capítulo 4.

04 de abril de 2009
Estava nervosa demais para ficar apenas naquelas cervejas, estava revoltada com o mundo, com os homens, com o último livro que eu li (sexo anal: uma história marrom). Adorava a ideia de esticar a noite com ele, para rir e olhar para o mundo como se tudo fosse um monte de besteiras. Fomos para uma festa que estava rolando as mesmas bandas de sempre, as mesmas pessoas de sempre, a velha história repetida de um jeito... igual. Mas que importava?
Encontrei vários colegas, conversamos muita besteira. Encontrei um cara que gostava muito de mim, mas que Ernesto o havia apelidado carinhosamente de "Psicopata", pois ele havia ficado meio obcecado por mim. Mas naquele dia eu percebi que ele não era um psicopata, era apenas um cara apaixonado e ainda apaixonado por mim, de um jeito meigo. Na verdade Ernesto não gostava muito dos meus paqueras, sempre havia um apelido como " o psicopata" ou o "chato" ou o cara que só quer lhe comer. Às vezes acho que nos relacionamentos amorosos sempre tem que ter um otário para formar a dupla.
Ernesto era um bom amigo, daqueles que segura a porta do banheiro químico enquanto vc tem que usar. É difícil uma mulher fazer isso, mas fazemos, pois a relação de necessidade nos obriga, imagine um homem fazer isso sem ter certeza de que depois vai comer a mulher para a qual ele se presta tal favor. Ernesto é o tipo de homem que segura a porta do banheiro químico pra você, é o tipo de homem que não existe.
Tudo acontece muito rápido e como não podia ser diferente, nesse dia tudo foi tão rápido quanto se possa imaginar. Não sei o que aconteceu, devo ter recalcado, só me lembro de estar com os olhos cheios de lágrimas olhando pra Ernesto e pedindo pra ele se acalmar. Ele me pedia desculpas e dizia que eu não merecia estar perto de pessoas como ele, eu só consegui pensar que nada do que ele estava dizendo fazia sentido.