No caminho para a aula, ele vai conversando comigo, falando trivialidades, a gente andando apressado por causa do atraso. A primeira impressão era de que ele era um cara tímido, com muitas ideias e poucos amigos. Ele falou mais ou menos o que estava achando do curso, daquelas aulas iniciais e como aquele ensino na área de humanas era diferente das demais áreas.
- Nas ciências humanas a postura do professor é totalmente diferente, ele dá aula, ainda que não seja a melhor aula.
- É, deve ser. Nunca estudei na área das exatas, não posso falar.
- Nas exatas o ensino é uma merda, o professor não tá nem aí pra nada. O aluno que se foda.
Ele ficou ainda falando um pouco sobre professores e ensino, eu ficava a maior parte do tempo calada ou dizia "aham, sei", só para dar continuidade. E ele continuava, era o tipo de pessoa que não precisava necessariamente de um interlocutor para conversar, para ele bastava a companhia para ele ficar expondo suas ideias e não ficar falando sozinho feito um louco. Ele fala mais pra ele (ouvir) do que para os outros, mas isso eu não tirei de uma primeira impressão.
Ele não era tão abestalhado quanto parecia. Tinha olhos apertados e avermelhados, cara de sono, jeito de quem acabou de fumar um baseado, roupa amarrotada, calça no meio da bunda arrastando uns 3cm de bainha pelo chão, cadaço desamarrado e pés tortos com pisada pra dentro. Era para ele ter usado botas quando pequeno, a essa altura é difícil corrigir pés tortos e ele já deveria ter uns 21 anos.
Estavamos nos aproximando da sala de aula e tinha uma pequena copa vizinha a sala, eu entrei pra beber um pouco de água e ele pegou uma garrafa de café e encheu um copo grande. Olhei mais uma vez e perguntei:
- Como é seu nome mesmo?
- Ernesto.
Eu me apresentei e ele disse que sabia quem eu era.
- Nas ciências humanas a postura do professor é totalmente diferente, ele dá aula, ainda que não seja a melhor aula.
- É, deve ser. Nunca estudei na área das exatas, não posso falar.
- Nas exatas o ensino é uma merda, o professor não tá nem aí pra nada. O aluno que se foda.
Ele ficou ainda falando um pouco sobre professores e ensino, eu ficava a maior parte do tempo calada ou dizia "aham, sei", só para dar continuidade. E ele continuava, era o tipo de pessoa que não precisava necessariamente de um interlocutor para conversar, para ele bastava a companhia para ele ficar expondo suas ideias e não ficar falando sozinho feito um louco. Ele fala mais pra ele (ouvir) do que para os outros, mas isso eu não tirei de uma primeira impressão.
Ele não era tão abestalhado quanto parecia. Tinha olhos apertados e avermelhados, cara de sono, jeito de quem acabou de fumar um baseado, roupa amarrotada, calça no meio da bunda arrastando uns 3cm de bainha pelo chão, cadaço desamarrado e pés tortos com pisada pra dentro. Era para ele ter usado botas quando pequeno, a essa altura é difícil corrigir pés tortos e ele já deveria ter uns 21 anos.
Estavamos nos aproximando da sala de aula e tinha uma pequena copa vizinha a sala, eu entrei pra beber um pouco de água e ele pegou uma garrafa de café e encheu um copo grande. Olhei mais uma vez e perguntei:
- Como é seu nome mesmo?
- Ernesto.
Eu me apresentei e ele disse que sabia quem eu era.