Esse blog é emotivo, narrado em primeira pessoa e desprovido de comprometimento com os fatos. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
O amor não é
Olhar os olhos no espelho e não reconhecer a imagem do amor amado. E pensar que talvez não fosse dar em nada mesmo, e talvez tenha sido bom enquanto durou, talvez seja a melhor memória possível, mas a única coisa que resta é o presente, e no presente, não há nada, nem memória, nem ideal, nem amor.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Meu querido Peter Pan
Alguém que quer sempre se aventurar, suas convicções são ele por inteiro. Ele é a aventura em pessoa. Seu melhor amigo é ele mesmo, cuida muito bem de quem gosta, mas só confia em si próprio. É admirável, mas vive em outro mundo, não tem nada a ver com o mundo real, vive no seu tempo e só nele sabe viver. Vive na terra do nunca, pois nunca irá crescer, nunca irá mudar, nunca será outro que não o mesmo. Alguém que não cresce. Alguém que vive perdido no seu próprio mundo, tão perdido que seus únicos “amigos” são os meninos perdidos.
Ele tem alguns inimigos também, alguém suficientemente parecido com ele para desbravar os mares em busca da vingança pela mão jogada ao jacaré esfomeado. Um inimigo tão parecido com ele próprio que o lema é derivado da aventura: “perseguir o Peter é a maior das aventuras”. Gancho representa toda a luta desse menino em se aventurar pela Terra do Nunca, a luta de tentar vencer, porque o Peter Pan, pode não lutar por tudo que quer, mas quer vencer tudo pelo qual luta.
A história desse garoto é quase uma história de amor, a eterna história de amor entre o menino que conhece uma garota do mundo real, que a encanta e a faz voar para a Terra do Nunca, a terra onde tudo é possível, menos crescer, menos mudar. Ele conhece a garota mais extraordinária do mundo real e pode escolher viver com ela, mas ele não quer crescer e portanto, não escolherá viver com essa garota. Ele escolhe a aventura. Ele volta a Terra do Nunca para viver tudo que lhe representa a liberdade, felicidade e aventura, e a cada primavera ele retorna ao mundo real, pois uma parte dele depende do mundo real para existir, pois assim ele se sente vivo. O real representa a vida e o amor. E sempre que ele volta ao mundo real ele pensa que “viver seria uma grande aventura.”
Esse garoto é uma contradição ambulante, quando a Wendy está em seu mundo ela a ama incondicionalmente, mas ela não pertence ao mundo dele, ela pertence ao mundo real. Mas ele só consegue ser no mundo dele, o mundo real tem perigos maiores que o capitão Gancho, no mundo real ele precisará crescer, mudar, ser ele modificado e ele não pode abrir mão de tanto. Ele manterá suas convicções por toda a existência e a falta de vida em seu coração o faz voltar ao mundo real a cada primavera, na busca da Wendy que cresceu, casou-se e teve uma filha chamada Jane que também foi levada à Terra do Nunca. Após casar-se, Jane teve uma filha chamada Margareth, que também viajava com Pan para a ilha. Certamente, quando Margareth crescer, terá uma filha que continuará a viver as mesmas aventuras. A mesma existência de uma pessoa que não muda, nunca.