Esse blog é emotivo, narrado em primeira pessoa e desprovido de comprometimento com os fatos. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Uma palavra
quinta-feira, 10 de junho de 2010
elogio ao amor real
Ele caminhava perdido em seus pensamentos, o vento batendo no rosto, pensava em como seria sua próxima aventura, gosta de se aventurar e se perder e se achar. Foi percebendo a lenta aproximação ao longe de um vulto, parecia familiar se não fosse a total falta de parâmetros reconhecíveis e continuou seu caminhar sem pensar muito sobre o assunto. Já havia feito tantas coisas, ido a tantos lugares, experiências inesquecíveis de tantos quantos momentos que muitos passavam despercebidos. Tantas coisas grandes se tornaram pequenas; quantas barreiras foram ultrapassadas, poderiam até dizer que superar limites era seu lema, ele sabia que os limites eram ilusões e ele era capaz de ser o impossível. Sempre vivera com uma ânsia de descobri e mudar e ser mudado pelo mundo a sua volta, contudo, hoje ele não encontrava uma aventura adequada a seus desejos, tudo parecia meio batido e os feitos e lugares já tinham sido descobertos, o mundo era pequeno demais pra tanta ânsia em se aventurar. E logo abriu um sorriso e pensou inusitadamente “viver seria uma grande aventura”, um grand finale como a peripécia principal, algo pra fechar com chave de ouro.
Ela estava admirando a paisagem, sorrindo bobamente e respirando profundamente. “Les choses semblent être éternelles”, pensava ela. Era uma mulher apaixonada pela vida, admiradora das estrelas, da felicidade, dos momentos compartilhados com quem se ama, uma admiradora do amor. Há vida sem amor?
Sentia-se plena, pois não tinha controle de tudo, algumas coisas simplesmente não dependiam dela. Nem tinha tido tantas alegrias, nem tantas tristezas, mas tinha tido muita intensidade, cada minuto apreciado com toda estima. Ela sabia que uma alegria não poderia substituir outra, cada momento tem sua beleza, além do mais, quando uma alegria tem obrigação de substituir outros momentos, logo se torna uma alegria gasta. Ao respirar mais uma vez, olhou a redor e logo reconheceu o sujeito que se aproximava. Sorriu ainda mais, um sorriso de quem não esquece.
Ele se surpreendeu ao perceber que aquele vulto tratava-se de alguém tão conhecido. Na verdade sua maior surpresa foi constatar que se tratava de um alguém que não conservava em quase nada os traços presentes em sua lembrança, exceto o sorriso. Ele não poderia esquecer aquele sorriso. Ela falou com ele, não deixaria o momento se perder pela completa falta de iniciativa de um dos dois. E eles conversaram uma conversa banal, de quem não se vê, nem se conhece há muito tempo. Quanta superficialidade numa tentativa de coleguismo que não existia, numa amizade que nunca existiu. Talvez eles nunca tivessem realmente se conhecido, ou talvez o desencontro dos caminhos tenha posto em dúvida tudo os que eles sabiam ou sentiam um pelo outro.
A verdade é que houve um tempo que ambos se amaram, um amor incrível, até para eles. E como tudo tem um fim, o final feliz deles havia acontecido. Ele acreditara que ela era demais e com toda ânsia de aventura, se aventurou com ela. Ela acreditara que ele era demais e com ele viveu a eternidade.
Eles se despediram, desejaram o bem um ao outro e disseram o bom e velho “vamos marcar de nos ver, para conversarmos”, e nisso ficou. Ainda pensaram um no outro, ainda lembraram um do outro, ainda tiveram vontade de ligar para marcar aquele encontro. Ainda se amaram a distância. Ainda esperaram por uma iniciativa do outro, uma reviravolta no finalzinho do tempo, que nem nos filmes onde quando tudo parece perdido acontece aquela declaração de amor e acontece o beijo e o abraço de urso e toca a música do casal que faz qualquer um chorar.
Acabou ali, naquele encontro, (aliás, acabou muito antes) ainda pensaram em tentar fazer dar certo, mas só houve silêncio e tempo.
“ E talvez o final feliz não inclua um cara ou mulher incrível, talvez seja você sozinha (o) recolhendo os cacos e recomeçando..e sabendo que mesmo com todos os erros estúpidos e sinais mal interpretados, com toda a vergonha e todo o constrangimento, você nunca perdeu a esperança." (autor desconhecido)