Uma desorganização!
Um pouco de caos vem chegando, sou eu. Assobiando.. passando o tempo, andando e olhando pro nada. Minha mãe diz que assobiar é coisa de menino, mas continuo a assobiar; parece que os problemas vão saindo com com o ar que sai pela boca, ar apertadinho, pelos lábios contraídos.
Grande parte das vezes, com cabelo arrumado, mesmo em tempo frio. Unhas feitas. Calça mais apertada do que deveria. Brincos que, por vezes, pesam mais do que as orelhas aguentam. Perfume sendo deixado a cada passo dado no corredor. Sorriso de quem parece bobo, óculos de quem parece esperto. Mas um monte de coisas na cabeça. Assim vou chegando a mais uma tentativa de aprender o que esperar de gente esquisita.
Certo dia, ao olhar para o professor, e ao vê-lo falar sobre transtornos, pensei um pouco sobre mim mesma.
Sou a pessoa que conversa sozinha e discute horas consigo mesma sobre algo que lhe perturba. Sou a pessoa que apesar de achar meus amigos interessantes e apesar de conviver bem com quase todos, não tenho nada a ver com eles. Sou a pessoa que se sente isolada, mesmo sendo descrita como comunicativa e amigável. Sou a pessoa que pode parecer sem muitas coisas na cabeça, mesmo que minhas idéias sejam interessants, e são, algumas vezes. Sou uma pessoa diferente, pode ter certeza. Mas se me achar esquisita, patricinha, ou qualquer outra coisa, me respeite.
Esse blog é emotivo, narrado em primeira pessoa e desprovido de comprometimento com os fatos. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Queria
Queria falar um palavrão! Queria me fazer ser entendida pela força. Queria entender que as coisas não são exatamente como eu gostaria que fossem. Queria aceitar. E aceito, de certo modo aceito a condição de ser eu, todos os dias. Mas se eu pudesse não ser... ah se eu pudesse.
Se fosse um livro eu teria uma capa velha, dura e amarelada. Mas minha história seria linda, cativante. Talvez para alguns, fosse uma história sofredora, mas para outros seria uma história de luta, de vida e também de algumas mortes.
Se eu fosse uma idéia, seria um mundo todo, cercada de vida, devaneios, pensamentos. Se eu fosse uma idéia, seria a idéia de poder ser milhares de idéias E até poderia ser representada por uma lâmpada que se acende.
Se eu fosse um instrumento seria um acordeon. Tocaria, como tocam os tocadores, canções de amor aos enamorados. Soaria como a mistura do piano velho e da sanfona.
Se eu fosse um desejo.. seria perigosa. Vivo cercada de perigos, de desejos perigosos. Já desejei eliminar meus defeitos, ou alguns deles, mas nunca sabemos em qual defeito pode estar sustentada nossa vida.
Se eu fosse uma máquina do tempo, iria para onde o tempo é meu. Viveria no meu tempo.
Se eu fosse uma estação, seria o outono, mas com bastante claridade, nada de tempos cinzentos, nem muitas chuvas.
Queria, algumas vezes, uma vida inventada. Como tudo que já foi inventado um dia, mas do meu jeito. Queria, como todos que sempre querem um pouco mais. Quero como quem sabe que um dia tudo vai ter fim e portanto, quero aproveitar. Quero algo pra me sentir.. deixar de sentir, ser ou deixar de ser. O que eu quero ainda não tem nome, mas vou segui-lo como se tivesse endereço, quem sabe eu o acho.
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