quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sem querer

Amei uma vez sem querer. Estava meio perdida olhando para os rostos de alguém como qualquer pessoa, como ninguém, alguém comum ou excêntrico. Achei alguém sem querer e amei-o: diferentemente a cada vez que o amei, a cada vez que o vi. Amei de várias formas, gostos e principalmente sensações.
Interessante como os homens são meninos e mudam constantemente alternando as faces de menino para homem e para animal e para nada. As faces masculinas são como um mapa, um caminho e é necessário perspicácia às mulheres para compreender que ações demandam tal face.
Eu, como boa perceptora da realidade, consigo ler muitos rostos, saber o que estão me dizendo. Nem sempre me disponho a fazer as ações que cada rosto necessita.
Mas um dia, quis amar como se deve, analisando o carinho exato a ser fornecido, quase como uma gestora que sou, geri minha ações para o amor. Infelizmente, não há amor administrado. Só é possível sentir, ser amar, sei lá, são tantas palavras.
Quando quis amar como se deve, já não sentia amor, os sentimentos não passavam de uma vaga lembrança e o que restava era vago e sem sentido.
Amei uma vez sem querer e esse amor era como o melhor perfume, que a certa altura se esgotou. Todo amor é como o melhor frasco de perfume: se não repor o líquido constantemente, em certo ponto não existirá perfume algum, só um belo frasco para lembrança.

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