Amei uma vez sem querer. Estava meio perdida olhando para os rostos de alguém como qualquer pessoa, como ninguém, alguém comum ou excêntrico. Achei alguém sem querer e amei-o: diferentemente a cada vez que o amei, a cada vez que o vi. Amei de várias formas, gostos e principalmente sensações.
Interessante como os homens são meninos e mudam constantemente alternando as faces de menino para homem e para animal e para nada. As faces masculinas são como um mapa, um caminho e é necessário perspicácia às mulheres para compreender que ações demandam tal face.
Eu, como boa perceptora da realidade, consigo ler muitos rostos, saber o que estão me dizendo. Nem sempre me disponho a fazer as ações que cada rosto necessita.
Mas um dia, quis amar como se deve, analisando o carinho exato a ser fornecido, quase como uma gestora que sou, geri minha ações para o amor. Infelizmente, não há amor administrado. Só é possível sentir, ser amar, sei lá, são tantas palavras.
Quando quis amar como se deve, já não sentia amor, os sentimentos não passavam de uma vaga lembrança e o que restava era vago e sem sentido.
Amei uma vez sem querer e esse amor era como o melhor perfume, que a certa altura se esgotou. Todo amor é como o melhor frasco de perfume: se não repor o líquido constantemente, em certo ponto não existirá perfume algum, só um belo frasco para lembrança.
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